Sunday, January 30, 2011

Empregadas Domésticas Domesticadas

Nasci em São Paulo, de pai japonês mesmo e de mãe brasileira, paulistana, mas de pais japoneses e por isso, a primeira língua que aprendi foi o japonês, antes mesmo do português. E aprendi o português assistindo televisão, que na época ainda era preto e branco. Esta introdução aparentemente é totalmente fora de contexto, mas irão entender mais adiante.

A primeira empregada doméstica que trabalhou na minha casa, ainda em São Paulo, se chamava Nara. Só que "onará" em japonês significa flato. Peido. Pum. Ou seja, desde pequeno eu tinha crises de riso apenas por chamar a empregada pelo nome. Ficar o dia inteiro falando: - “ô, Naraaaaa!”, me rendia horas de riso que, aparentemente, esta doméstica não tinha a menor idéia do porquê. Era uma senhora meio gorda, pesada, que uma vez, ela foi subir num banquinho na área para pegar alguma coisa e, escorregou do banquinho e caiu em cima do tanque de lavar roupas, de granito áspero e quebrou o tanque! O mais impressionante é que ela não sofreu nada. E por pouco não caiu lá pro subsolo.

Depois dela, veio outra doméstica, carioca, de cabelos curtos chamada Janete, que foi citada no post anterior. E como disse no post anterior, eu a chamava de “lanchanete”. Era uma idiota completa. Além do ocorrido com a senhora idosa, que era minha babá, que desmaiou e ela simplesmente disse: -“ah, ela só desmaiou” e nada fez, lembro de uma noite que a cama dessas dobrável, com armação de metal com molas desmontou e ela caiu no chão. Isso porque ela dormia no mesmo quarto que eu, pois a casa era pequena e, durante a noite, ela funcionava como uma babá noturna. Ela também me levava eventualmente para a escola e, apesar de não entender corretamente o dialeto estranho que ela falava, a gente conversava muito. Obviamente, não me lembro de qualquer diálogo, mas lembro que ela falava as coisas começando em segunda pessoa e não concordava o verbo, como todo carioca. Ou seja, ela falava: - “tu vai pra escola...” e eu não entendia o “tu”. Tentava encaixar o “você” no lugar de “tu”, mas sabia que não era “você” que ela falava de forma alguma. Sendo paulistano, soava esquisito para mim. Minha mãe mandou ela embora depois que ela soube que a Janete não deixava eu assistir os programas que eu queria assistir, provavelmente “Vila Sésamo” com aquele pássaro azul (Garibaldo, acho – ok, a televisão era preto e branco, mas em revistas, via que era azul e na versão atual é amarelo) e a atriz Sônia Braga (ok, isso eu vi numa pesquisa rápida no Google), e outros programas como os Três Patetas (The Three Stooges - eu gostava da formação original, Moe, Larry e Curly. O Shemp é chatérrimo), um outro super herói esquisito chamado Esper (que não é o Ronaldo – é o Light Speed Esper) e Thunderbirds, um programa tipo Star Treks, só que de bonecos de marionetes muito bem feito pra época. Meu pai também trazia os brinquedos desses programas quando ia pro Japão, o que reforçou as minhas lembranças. Sim, a Janete me privava de assistir esses programas, pois ela queria assistir novelas ou outras coisas pouco interessantes para um moleque de poucos anos.

Deve ter tido outras domésticas na nossa casa até a gente se mudar para o Rio de Janeiro, mas não me lembro. E, desde que nos mudamos para cá, uma senhora negra, magra, de sorriso fácil chamada Josefa nos acompanhou durante décadas. Pelos meus cálculos imprecisos, deve ter trabalhado para minha mãe de 1978 até 2006, quando ela já não tinha mais saúde e minha mãe apenas pagava ela mesmo sem trabalhar por consideração. E, se não me falha a memória, ela faleceu pouco após o meu casamento ou após o nascimento da Eduarda. Como toda empregada doméstica, ela não fazia muita coisa, a não ser passar roupa. Ela tinha certa obsessão por passar roupas. A primeira coisa que fazia quando chegava à minha casa, por volta das seis da manhã, era passar roupas. Ficava horas passando roupas, alisando as roupas. Ela passava até meias, pano de chão, toalhas e outras coisas que normalmente ninguém passa. Mas limpar mesmo a casa, nada.

Depois que casei, a empregada que ia semanalmente era a D., que já era empregada da família da Raphaela há uns 20 anos. E, como ela é, na teoria, doméstica da minha sogra, a gente procurou várias domésticas e umas piores do que as outras.

Tinha uma, que era esposa do porteiro do prédio onde a gente morava, que trabalhava direitinho, não falava muito, mas eficiente. Durou pouco, pois ela não sabia lidar direito com bebês e, acho que com a vinda da Duda, ela se sentiu acuada, embora a gente nunca tenha feito ela tomar qualquer função de babá, não quis mais ficar.

Então, um dia, a Raphaela assistindo um desses "maravilhosos" programas vespertinos, soube da história de uma senhora que apareceu numa vinheta de alguma novela dizendo que, após ouvir uma música do Roberto Carlos, amanheceu “babada”. E, após a vinheta ir ao ar, ela foi demitida da casa onde trabalhava, por ser uma atitude incompatível e principalmente inconveniente para uma doméstica em uma casa com crianças.

A Raphaela, vendo o programa, resolveu ligar para a emissora e colocou o nosso telefone a disposição dela para entrar em contato conosco (dela leia-se, pois eu só fiquei sabendo quando já tinha ligado para a emissora). Ela começou a trabalhar na nossa casa e, acho que a fama momentânea dela subiu a cabeça. Era uma senhora já aposentada, mas exigiu da gente carteira assinada, mesmo a gente explicando que os benefícios recolhidos não iriam para ela, e sim para o governo. E aí, ela começou com um papo estranho de que a mãe dela era de sindicato de domésticas e outras coisas ameaçadoras. Após umas duas semanas, dispensamos. Durante o pouco tempo que ela trabalhou na nossa casa, ocorreu uma coisa que eu abomino. Eu tinha comprado um pote de Nutella. A Raphaela não gosta, logo, ela não come. A Duda tinha alguns meses e não seria capaz de pegar num armário alto. E num belo dia, quando abro o pote, vejo que alguém tinha comido parte e com garfo, pois tinha ranhuras de garfo em toda a superfície do chocolate. Eu mostrei para a Raphaela e perguntei se ela achava que eu deixaria a superfície daquele jeito e ela balançou negativamente a cabeça, me conhecendo e sabendo que nunca deixaria daquele jeito, e sim, liso como se fosse novo. Joguei fora o muito que ainda restava, com nojo.


Como a gente já recebia a visita esporádica de uma entidade que se diz faxineira, a D., e não tinha muitas outras opções, ela acabava vindo trabalhar na nossa casa. Eu tenho certeza de que ela é um ectoplasma perdida em algum lugar do limbo e não sei por que ela veio parar na família da Raphaela e assim ela acabou encarnando lá em casa. É uma criatura negra, forte, com feições assustadoras, e que tem uma capacidade incrível de fazer com que objetos da casa sumam e vão parar em lugares inimagináveis. Sabe aquela coisa meio Poltergeist, que num momento vê um remédio dentro da própria caixa, no criado mudo e, no momento seguinte, o mesmo remédio está fora da caixa e dentro do armário da cozinha, onde se guarda pratos? Ou, aquele engradado de leite longa vida que vem seis unidades, eu abro uma caixa e quando vou contar só tem quatro? O que me faz pensar até que eu não sei contar ou que tenho problemas graves com aritmética. Esta é a entidade D. Ela ainda vem aqui trabalhar, infelizmente. Como a Josefa que tinha uma obsessão por passar roupas, a obsessão da D. é lavar roupas na máquina de lavar. Ela deve ter orgasmos múltiplos vendo a máquina de lavar roupas funcionando. É impressionante. Se eu pego uma camiseta que apenas separo, não uso e coloco em cima da cama, em alguns segundos, ela aparece sendo chacoalhada com água e sabão em pó dentro da lavadora. Ela me vê pegando uma toalha limpa, nova e uso apenas uma vez, mas logo depois, já está a pobre toalha sendo lavada e outra toalha pendurada no cabide do banheiro.

Quando algo some da casa, e isso é uma coisa muito comum, no dia que ela vem trabalhar, é só ligar para ela que temos duas respostas distintas; uma é a famigerada e odiosa “não sei, não vi” e a outra é que ela consegue colocar coisas em lugares totalmente “nada a ver”. Com o tempo, a gente aprende a “pensar” como ela e procura nos lugares mais absurdos e lá está o controle remoto do DVD dentro da gaveta da pia do banheiro social. Ou o CD de instalação de algum hardware do meu PC dentro de um livro do Stephen King. Outras coisas se perdem para sempre e nem São Longuinho acha, mesmo dando três mil pulinhos.

As domésticas, de um modo geral, acham que não percebemos quando “some” um rolo de papel higiênico caro. Acham que nunca iremos sentir falta daquele único pote de iogurte que você está guardando para tomar ansiosamente no café da manhã. Ou que não reparo que a garrafa de refrigerante que tomei um copo está no fim. Eu sei quantas camisetas eu tenho e quais são as minhas favoritas, que aparentemente são as favoritas dos filhos ou maridos delas, assim como meias. Não me faça colocar números de série nas minhas roupas, para que assim eu saiba quais estão faltando e quais meias fazem pares. Não quero nem pensar sobre escova de dente.

Uma dica para as domésticas, não tentem “completar com água” a porção de shampoo que ela levou para casa em algum outro frasquinho. Que leve, mas não dilua a droga do meu shampoo. Quando eu comprei e eu abri pela primeira vez, eu gravei a consistência do produto e sei que não é tão higrófilo a ponto de transformar num líquido que escorre entre os meus dedos. Barras de chocolate não perdem uma fileira inteira por sublimação. Bebidas não evaporam com as tampas fechadas. Eu percebo quando um perfume que desapareceu por uma semana reaparece misteriosamente no mesmo lugar que procurei inúmeras vezes e com seu conteúdo bem abaixo da última vez que eu usei. Se quiserem ou precisar de algum item que eu comprei, peça. Pode ser que eu dê sem o menor problema. Levar sem o meu consentimento se chama furto. Fica a dica.

Saturday, January 22, 2011

Babás e babás

Eu nunca tive uma babá para cuidar de mim, que eu me lembre. Desde que era pequeno, tive gente da minha família para cuidar, exceto um curto tempo que tinha uma senhora muito, mas muito velhinha mesmo, daquelas encurvadinhas e toda enrugada, com a idade de um Wookie* velho. Parecia alguém que tinha ficado tempo demais dentro de uma banheira de água morna. Não sei exatamente quanto tempo de vida eu tinha, mas já andava e falava. E uma das memórias marcantes foi um episódio que não sei o que aconteceu, mas ela escorregou, caiu e bateu a cabeça na quina de um armário e desmaiou. Acho que por minha causa. Mesmo com pouca idade, sabia que algo errado tinha acontecido, pois via a pobre senhora japonesa enrugada caída no chão com os olhos fechados. E fui chamar a empregada da casa, que se chamava Janete (obviamente, sempre a chamava de “lanchanete”, como o estabelecimento comercial que serve comidas rápidas, mas pronunciado de forma errada). E descobri que realmente ela não servia para nada, pois ao mostrar a senhora caída no chão, ela se limitou a olhá-la e dizer: “- ih, ela desmaiou!” E continuou fazendo o que tinha que fazer, exceto socorrê-la. Eu peguei o aparelho de telefone e pedi que ela ligasse para minha mãe. Com certa má vontade e descrença, ligou e disse algo semelhante ao que tinha dito para mim: “- olha, dona Helena, a senhora caiu, bateu a cabeça e desmaiou.” Assim, nessa calma. Minha mãe voltou voando como um projétil de arma de fogo, mas acho que na hora que ela chegou, a senhora já estava começando a recuperar a sua consciência. Lembro que a idiotinha da empregada ainda disse: “- viu, dona Helena, não disse que ela ‘só’ tinha desmaiado?”

Avançando algumas décadas, quando a minha filha Maria Eduarda nasceu, por cerca de uns cinco a seis meses, eu e a Raphaela alternávamos as tarefas durante o dia e a noite para cuidar da pequena Duduca, que não nos dava tanto trabalho assim. Mas depois de um tempo, vimos que realmente precisávamos de uma babá para ela, até porque estava crescendo e tomando mais o nosso tempo. Não que fosse coisa desagradável, mas às vezes, eu tinha que sair para fazer alguma cirurgia ou procedimento e não tínhamos com quem deixá-la.

No longínquo bairro de Santa Cruz, onde meu sogro tem uma fazenda, tinha esta pequena criatura (pequena mesmo, ela tem no máximo 1,45m de altura) que já tem uma filha um pouco mais velha que a Duduca e que se dispôs a trabalhar de babá. A R. Sempre trabalhou bem, a Duduca adora ela, atenciosa com as crianças, cuidadosa com a maioria das coisas, um pouco marrenta (todo baixinho é invocado, e ela não fugiu a regra), mas gente boa. Ela ficou trabalhando como babá até 2009, quando ela já estava meio desanimada com o trabalho e tinha arranjado alguém para sustentá-la. E com a Raphaela engravidando de gêmeos, ela picou a mula e caiu fora. Disse que não teria a menor condição de ficar numa casa com gêmeos e mais uma menina hiperativa. Ficamos um pouco receosos de como a Eduarda reagiria, mas ela sempre foi muito sociável, não dando muito trabalho para adaptação com outras babás.

Neste momento começou a saga interminável de procura, seleção e adaptação de babás. Aliás, assim como empregadas domésticas, secretárias e outros tipos de empregados, é sempre uma “caixinha de surpresas”, usando um jargão esportivo.
Então, não sei onde a Raphaela achou a M., mas foi a primeira babá pós-R. Era uma mulher nova, negra, que falava como se tivesse com oligofrenia, quando falava, pois raramente se manifestava verbalmente na nossa presença. Nessa época, um pouco antes dos gêmeos nascerem, morávamos na casa da minha sogra, num apartamento pequeno. E ela tinha uma capacidade de se esconder num apartamento muito pequeno. Um dia, alguma empregada a viu dentro do banheiro de empregada toda encolhida e perguntou se estava passando mal ou algo assim. Ela diz que não, que estava apenas se escondendo da minha sogra, pois ela a achava muito chata e que não era paga para “receber ordens” dela! E os gêmeos nasceram e ela continuou por pouco tempo até ser dispensada. A Duduca até gostava dela, mas ainda assim, volta e meia perguntava pela Rose baixinha.

Depois dela, vieram outras inúmeras babás, começando com a AP, a nora da empregada/entidade que se materializa esporadicamente na minha casa. Junto com ela, veio a J. Eu já tinha escrito no Twitter sobre elas. A AP é uma mulher negra, magrela que tem um nariz de tomada, cabelos alisados e uma voz rouca. Sempre tratou bem as crianças. Pelo menos era o que a gente pensava. Não que ela as maltratasse, batesse ou fizesse coisa desse tipo, mas contarei mais abaixo. A J, outra mulher negra, de cabelos esquisitos, igualmente alisados, mas parecia um aplique ou algo assim. Tinha uns peitos monstruosos que devia lhe causar algum dano na coluna vertebral. Também nunca vi qualquer sinal que indicasse que ela agredisse as crianças, mas reparava que ela não tinha uma dose de paciência para, por exemplo, tirar um dos bebês do berço. Ela puxava pelo bracinho do bebê. Como disse num post anterior, meus gêmeos têm intolerância a lactose e por isso precisam tomar leites específicos, que custam caro e, por isso, qualquer coisa a mais que eles comessem, refletia como vômitos, cólicas ou brotoejas. E nariz escorrendo. Uma das alergologistas consultada tinha prescrito uma medicação chamada Singulair (“I´m a singulair, I´m a singulair, oh, oh, oh, ohhhh, ohhhh!) igualmente cara para a suposta alergia. A tal da J., além de ser alguém impressionantemente inútil no dia a dia, descobrimos que era mentirosa. Por várias vezes caiu em contradições sobre os mais diversos assuntos. Incluindo a correta administração do Singulair. Ou seja, quando ela lembrava, ela dava a medicação que tinha que ser dada junto com alimentos (frutas). Já a AP, que tinha um péssimo hábito de debochar dos outros, inclusive dos patrões, foi que nos levou a uma certa revolta. A desgraçada, em uma discussão com a Raphaela, por telefone, simplesmente perdeu o juízo e começou a gritar deliberadamente com a patroa! E ela na minha frente. Não tomei qualquer atitude na hora, mas naquela hora vi que já não cabia mais aqui em casa. E o pior, ela não tinha razão na discussão. E mesmo que tivesse, tinha acabado de perdê-la gritando.

Durou uns poucos meses e realmente resolvemos que estava mais do que na hora de mandar as duas embora. A J. que além de mentirosa e preguiçosa, ficava mais tempo na portaria cantando os porteiros do que fazendo suas obrigações. E nem sabemos se ela alguma hora deixou as crianças dormindo sozinhas em casa, com ela na portaria. A AP foi pior. Depois de ela ser mandada embora, ela ainda freqüentou a casa da minha sogra e da minha cunhada, ajudando em faxina. E foi quando ela disse para a minha sogra que os meus filhos NÃO tinham qualquer alergia, que ela tinha toda a certeza disso. E minha sogra quis saber o porquê. Eis que ela diz que ela dava Danoninho para eles todos os dias ou dias alternados e que eles nunca morreram ou ficaram doentes por isso. Seria como dar camarão para mim todos os dias e dizer que só porque eu não morro, apenas fico me coçando e formando lesões pruriginosas não seria alérgico a camarão. Na minha concepção, isso se chama tentativa de homicídio. Ou seja, dar uma substância sabidamente intolerante a uma pessoa significa que está assumindo o risco de causar algo muito grave que poderia levar até a morte. E quando a Raphaela foi confrontá-la sobre isso, ainda fez cara de deboche e desdém. Felizmente, a única coisa que isso tudo causou foram algumas noites mal dormidas, várias roupas, lençóis e travesseiros trocados e lavados e muito nariz escorrendo catarro verde. Ou seja, o Singulair nunca iria servir para absolutamente NADA, com os meninos tendo contato com produtos lácteos. Coincidentemente, após elas serem mandadas embora, os meninos nunca mais apresentaram melecas verdes no nariz. Tampouco vômitos noturnos (exceto, claro, quando eles “roubam” algum alimento com leite da gente). Infelizmente, não temos provas de que ela realmente fazia isso e ela nunca confessaria isso numa delegacia, onde gostaria de ter feito ocorrência. Eu já tinha sugerido colocar câmeras de segurança, mas não levamos a idéia à diante. Uma pena, pois adoraria ver essa criatura ignóbil enjaulada. Ou pelo menos condenada com pena revertida em algum projeto social.

E veio uma senhora muito educada chamada Aparecida, a Cida. Mas infelizmente, ela já tinha se comprometido com uma antiga patroa que também estava para ter gêmeos e ela acabou ficando conosco apenas alguns fins de semana, como folguista. Certamente, ela foi a melhor até agora, além da R. Mas tudo que é bom, dura pouco. Mas a R. resolveu voltar para assumir os três. Agora que os meninos já andam e destroem tudo pela casa, ela achou que dá conta. O problema da R. é na hora da natação deles. Como são dois, precisam de dois adultos para fazer a aula com eles. E a piscina da Fórmula da Água, academia onde eu freqüento, tem a profundidade de 1,50m, ou seja, ela faz um esforço sobrehumano para ficar na ponta dos pés e conseguir ficar com o nariz de fora da água e ainda segurando algum dos guris, fazendo-o bater os pés ou fazê-lo subir em plataformas para pular ou apenas boiar. Hilário, mas me faz ter que entrar na piscina. O que também não deixa de ser divertido fazer aulas com eles!

A Cida até nos indicou algumas pessoas, mas nenhuma funcionou. Veio uma que ficou cerca de 2 horas, viu como seria e disse que não ia conseguir lidar com a situação e foi embora, sem nem pegar o dinheiro da passagem que sempre pagamos. Outras que marcaram diversas vezes e nunca apareceram e não deram satisfação.

Outra, com cara de novinha, ficou um fim de semana e também não agüentou. Realmente, neste fim de semana em questão, os meninos estavam muito agitados e inapetentes e, com isso a Raphaela surtou, assustando a guria. Que também não demonstrava muita iniciativa, o que para nós é fundamental.

Teve um outra, grandona, muito feia, que parecia a noiva do Frankenstein. Na verdade, ela nem achei muito ruim, mas a Raphaela não gostou e a dispensou. Para mim, foi certo alívio, pois tinha medo da cara dela. Ela tentava sorrir, mas o sorriso dela era tão medonha quanto a cara dela normal. Tinha uns pés que pareciam pés de avestruz. E era feia, feia demais! Coitada, feia e assustadora. Espero que não seja feia, assustadora e desempregada.

Até a semana passada outra senhora trabalhava para a gente. A N.. Ela é baixa, não tanto quanto a R., que é praticamente do tamanho da Shizuka, minha Scottish terrier. E ela me lembrava muito o personagem Ariete, do He-man. Um cara baixinho que usava um elmo e dava cabeçadas para arrombar portas ou destruir inimigos. E apesar de ter passado poucos fins de semana, os meninos já tentavam balbuciar seu nome, saindo algo como “ah-ia-iá”, o que levou a uma crise de ciúmes da R. Nome este que nem passa perto do que os moleques balbuciam! Mas também outra sem muita iniciativa. E fez uma coisa que me desagradou muito. Num dia de domingo, resolvi levar os gêmeos e a Eduarda pro Botafogo Escada Shopping e ela foi junto para ajudar. A Duda ficou no parquinho que tem lá e fiquei batendo perna pelo shopping, quando resolvi tomar um frapuccino de caramelo e chocolate do Starbucks. Eu perguntei a ela se ela queria algo, tipo café (todo mundo gosta de café, né? Menos eu) ou pão de queijo. E ela negou dizendo que não estava com fome. Quando chegou o meu frapuccino, ofereci por educação, crente que ela iria recusar. E ela aceitou... Tomou um gole do meu frapuccino! Na hora, fiquei sem ação. Afinal, eu era o culpado de ela ter aceitado, pois eu tinha oferecido! Mas não era para ela ter aceitado! Eu que não tivesse oferecido, mas aí, me sentiria mal por ter sido mal educado. Nem contei isso para ninguém, mas foi uma situação esquisita. Talvez o esquisito nesta história seja eu. Mas era a primeira semana que ela ficava.

Este fim de semana quem está aqui em casa é uma outra senhora, negra, alta, feia, com um nome estranho (Raiane ou algo assim) e que quase não fala. Só que ontem, quando voltei da corrida, por volta do meio dia, ela estava esparramada no sofá de casa, dormindo de boca aberta e não acordou quando entrei. Foi acordar um tempo depois, quando comecei a fazer mais barulho e a Eduarda começou a gritar. Ou seja, começou mal. Mas essas coisas só acontecem comigo, o que faz com que a Raphaela ache que eu sou implicante. Num momento desses, eu lembro que teve uma babá que fedia. Tinha o cheio do corpo muito forte, mesmo logo após tomar banho. Era impressionante. Graças a Deus, a Raphaela também não gostou dela (por outros motivos) e a dispensou.

Resumindo, passaram babás baixas, muito baixas (que continua), altas, assustadoras, com peitos que mais pareciam entrepostos da Parmalat, pessoas com nariz de tomada, gordas, com cabelos duros ou alisados, interessadas ou não, com iniciativa ou não, responsáveis ou não, e todas feias...

*Wookie: Aquele gorilão do Star Wars, o Chewbacca. O próprio Chewbacca era um wookie de 400 anos de idade.

Tuesday, January 18, 2011

Um pequeno milagre

Este é um cãozinho resgatado nas enchentes de Teresópolis em um dos primeiros bairros atingidos e deve ter por volta de 2 anos de idade, pela sua dentição. É macho, sem raça definida, de pequeno porte, criptorquida e, além de muito assustado ainda (também pudera, né?), é muito carinhoso e sociável. Está temporariamente na clínica Kenko Pet a espera de adoção.




Mas por que ele veio parar na clínica? Uma pseudocliente foi ontem pela manhã na clínica perguntando se tínhamos algum cão pequeno para ser adotado, pois seria dado de presente para a avó, viúva e solitária que gostaria de uma companhia tranquila. No mesmo momento, liguei para a nossa amiga adestradora e sempre presente em assuntos caninos e felinos, Daniela Prado (Lord Cão), que estava justamente em um abrigo de Terê, dando suporte. Chegamos a conclusão que a melhor opção para uma senhora idosa seria um cãozinho pequeno, já adulto, mas jovem e que não precisasse passar pela fase chata (mas muito boa também) de filhote.


Escolhemos esse carinha que desceu no carro da Daniela na mesma tarde, chegando na clínica pouco após as 19h. Eis que ligo para a cliente que tinha solicitado e ela me diz que a avó iria viajar para fora do país por algum tempo, que não poderia assumir qualquer compromisso por agora, mas que "quando ela voltasse", iria pensar em adotá-lo. Infelizmente tem gente ainda que "brinca" com coisas sérias. É claro que eu também deveria ter ficado mais cético e seletivo na conversa, como normalmente sou. Fui influenciado pela comoção que assola todo o Rio de Janeiro e o Brasil e deixei-me levar numa conversa fiada. Mas ver imagens do abrigo que necessita de muita ajuda de todos os tipos, realmente não pensei uma segunda vez para tentar conseguir que seja uma única adoção de um cão com tão pouco tempo de vida e tanta história para contar.


Chegando na clínica, demos comida e água e medicamos contra pulgas e vermes. Ele é um pouco magro, mas nada patológico e pelo comportamento com as pessoas, não parece ter sido um cão de rua, segundo avaliação da Daniela Prado. Tem uma pequena anomalia chamada de criptorquidismo, que é caracterizada pela presença de um dos testículos fora da bolsa escrotal, onde deveria estar, mas está em região inguinal. Coletamos o sangue dele para uma análise inicial para saber um pouco mais sobre ele. E estando tudo bem, deve ser castrado por nós ainda esta semana, provavelmente amanhã.


O casal Roberta e Jörgen da Pet Delícia ficou encantado com o pequeno e como somos vizinhos, ele vai passar o dia de hoje lá na Pet Delícia só recuperando o peso perdido estes dias! Viva o cãozinho! Viva o casal! Viva a Pet Delícia! Viva a Daniela Prado! Viva a Lord Cão!
Jörgen
Roberta, o cãozinho resgatado e Tangerina do lado

Friday, January 14, 2011

DOAÇÕES PARA HUMANOS E ANIMAIS - RJ

Hoje, primeiro dia de arrecadação de doações aqui na Kenko Pet, já conseguimos lotar um carro que já subiu para a região serrana do RJ e, agora a tarde já recebemos só de uma cliente, a dona Jacqueline Fátima Neves da Rocha, CINCO malas lotadas de roupas. Da amiga Palmeirense Cinthya Marron mais inúmeras sacolas com alimentos como achocolatados, leite, material de higiene, macarrão, biscoitos, água, Mucilon, medicamentos entre outras coisas! Um outro amigo Palmeirense que tem família em Teresópolis também colocou seu carro a disposição para levar os mantimentos para lá. A amiga Patrícia Campos também doou muita roupa, alimentos e materiais de higiene. Uma pessoa que não se identificou doou 15 sacos de 25 Kg de ração para cães! A drogaria Peixoto, na Figueiredo de Magalhães dispôs a doar 1.500 litros de água mineral, ou seja, um caminhão! Aparentemente estavam com problema para liberação no trânsito, mas os nossos amigos da PF e da Defesa Civil se prontificaram a escoltar o caminhão até o destino. Os nossos amigos da Pet Delícia, Roberta Camara e Jörgen Dehlbom doaram muitos litros de água!




Enfim, enquanto tiverem pessoas necessitadas e pessoas levando os mantimentos para elas, estaremos com o nosso espaço a disposição para juntar donativos!


E agora, as 20:30, os nossos amigos Renan e Márcia acabaram de carregar um Nissan Pathfinder lotado com os donativos rumo a região serrana! Viva eles!


Amanhã, irá subir mais carros com donativos de amanhã. Por favor, colaborem com as pessoas desabrigadas! Obrigado! 


Vou atualizando o blog com as notícias das doações.



Local na Zona Sul:
KENKO PET VETERINÁRIA
Rua Anita Garibaldi, 60 loja i
Copacabana (Bairro Peixoto)
Telefone: 2235-6201 e 2235-3631
Celular: 8193-8339 (Dr. Marcos)
Horário de funcionamento: segunda a sexta de 09:00 as 18:00, sábados de 09:00 as 16:00. Domingos não abrimos, mas caso alguém queira fazer doações, ligue e marque um horário que iremos receber. O mesmo para outros horários que não estiver aberta.

DANIELA PRADO (Lord Cão)
Celular: 9642-4412 / 7872-9046
Gávea

Thursday, January 13, 2011

DOAÇÕES PARA AS VITIMAS DA ENCHENTE - REGIÃO SERRANA - RJ

Um dia após a tragédia das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, vendo as imagens pela TV tive uma pequena idéia do que acometeu aquela área.

Algumas imagens perfuraram meu cérebro e tão cedo não apagarei da minha memória cenas tão tristes que fizeram que lágrimas rolassem pelo meu rosto de forma tão silenciosa.

Uma senhora idosa presa a uma laje da própria casa, agarrada a um de seus cães, 
infelizmente todos levados pela água, tentando salvar a si e o pequeno cão de estimação. Um amigo da academia já tinha comentado sobre estas imagens e já tinha me feito ficar angustiado com a situação. Vendo pela TV no noticiário me deixou mais angustiado ainda.

Outra cena que fez escorrer mais lágrimas foi a de uma senhora também idosa no enterro da filha, da neta e do bisneto, num pequeno caixão branco. Como disse no Twitter, é incalculável a dor das pessoas que se foram carregadas pelas águas ou soterradas pelos destroços, lama e construções, mas a dor de quem fica é maior. A dor de quem enterra seus parentes e amigos.

Mas felizmente, houve uma imagem que me fez chorar, mas de alívio, de felicidade, coisa tão difícil de se ter num momento como este. A imagem de uma criança de colo sendo resgatado vivo, sem qualquer ferimento, apenas com uma carinha de quem não entendia bem o que havia acontecido nas últimas 15 horas, tempo em que ficou soterrado, abraçado pelo pai, que não o soltou em momento algum, protegendo seu precioso rebento contra o reboco, a lama e a água que os soterraram. Felicidade maior foi saber que o pai também sobreviveu.

As pessoas dessas áreas (Teresópolis, Friburgo, Petrópolis e Sumidouro) agora precisam de tudo, mas começando com itens básicos de sobrevivência.
Listarei alguns itens que podem ser doados por qualquer um de nós, seja apenas um item ou vários.
1- Água potável. Como houve interrupção de diversos ramais de distribuição de água, falta água para beber, cozinhar, para higiene. Podem ser doados em garrafas de água mineral ou galões maiores.
2- Alimentos não perecíveis. A primeira coisa que pensamos quando lemos "alimentos perecíveis" é de sacos de arroz, feijão, latas de óleo, açúcar, leite em pó entre outros. Mas conhecendo a precariedade do lugar onde as pessoas estão, o arroz e o feijão, apesar de conter nutrientes essenciais, são alimentos de cozimento lento. Isso consome muito tempo, água e fonte de energia (gás, que também é um item carente na região). Para um socorro emergencial, precisamos de alimentos que sejam de fácil cocção e, mesmo que não tenha um valor nutricional ideal, servem para "matar a fome". Logo, alimentos como macarrão e os instantâneos ("miojo") são os ideais para serem doados. Para as crianças, o leite em pó é importante, mas lembremos que para o preparo do leite em pó, é necessário água potável. Ou seja, outro item fundamental, que é raro nesta ocasião. Então, ao invés de doar latas de leite em pó, prefira leites em caixa do tipo longa vida. Ainda, suplementos alimentares como Mucilon, achocolatados, farinha láctea e outros produtos a serem misturados ao leite para torná-lo mais consistente e "matar a fome" mesmo que momentaneamente. Lembrando que todos estes itens são produtos baratos e qualquer quantidade já é um início para a ajuda. Outros alimentos para serem doados são os biscoitos de qualquer tipo (simples, recheados, doces ou salgados), pois não precisam de cozimento nem de outros cuidados maiores para serem consumidos. Ou seja, preenchem o vazio do estômago e pode ser consumido em qualquer lugar, sem necessidade de talheres ou panelas.
3- Produtos de higiene pessoal. Fraldas descartáveis, fraldas geriátricas, papel higiênico, absorventes íntimos, sabonetes, shampoos, sabão de coco, detergentes, água sanitária (ou cloro), pasta e escova de dente, papel toalha e outros.
4- Roupas e cobertores. Dêem preferência a roupas íntimas como calcinhas e cuecas de qualquer tamanho, principalmente os grandes, pois há uma grande população idosa que necessita destes itens. Roupas em geral, é claro que sempre temos no nosso armário algum que não iremos mais utilizar, mas são os menos importantes, uma vez que a maioria das pessoas já estão doando. Roupas infantis são importantes, incluindo roupas íntimas e calçados para as crianças e bebês. Apesar do calor e as pessoas, muitas vezes acharem desnecessários, os cobertores são importantes sim. Muitas vezes não para alguém se cobrir, mas para forrar o duro chão de onde estão. Ou para realmente cobrirem pessoas adoentadas que perdem calor facilmente devido a feridas e/ou infecções.
5- Para quem tem acesso a medicamentos, os comumente usados nessas ocasiões são principalmente os antibióticos, antiinflamatórios e os analgésicos. Quem puder doar Benzetacil, amoxicilina, azitromicina, cefalosporinas, Flagyl (antibióticos), cetoprofeno, meloxicam, piroxicam (antiinflamatórios) e tramadol, dipirona, paracetamol, ibuprofeno (analgésicos) também serão de grande valia. Sabemos que para a compra de antibióticos hoje em dia só com receituário médico especial, mas quem tiver estes medicamentos, mesmo que parcialmente consumidos e dentro da validade, peço que doem assim mesmo.
6- Insumos médicos. Gaze, algodão, produtos de assepsia e antissepsia (Merthiolate, Povidine, álcool [70 e 98º], água oxigenada, soro fisiológico), esparadrapo, ataduras de crepon, termômetros, repelentes [principalmente os infantís], pomadas para assaduras (Hipoglós) de crianças, lenços umedecidos ("baby wipes").
7- Dinheiro. Eu não irei arrecadar dinheiro em espécie. Se alguém preferir que eu compre algum produto, farei no meu cartão de crédito e depois vemos como farei para receber a quantia, que será devidamente comprovada através de nota fiscal.
8- Produtos veterinários. Ainda não temos dados para coleta deste tipo de produto. Mas ficamos sabendo que um abrigo em Teresópolis da Bebete Filpi teve um muro desabado que levou cinco cães a morte. Em breve, assim que tiver alguma posição, irei informar a todos que puderem ajudar.

"Contas para doações em dinheiroA Prefeitura de Teresópolis disponibilizou uma conta corrente no Banco do Brasil para receber doações e ajudar as famílias atingidas pelo temporal. Com o nome “SOS Teresópolis – Donativos”, a conta corrente é número 110000-9, na Agência 0741-2. Há também a conta 2011-1, Agência 4146, da Caixa Econômica Federal. O CNPJ da Prefeitura é número 29.138.369/0001-47. Outras contas:
Prefeitura de Nova FriburgoBanco: Banco do Brasil
Agência: 0335-2
Conta: 120.000-3
Defesa Civil – RJ
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0
Fundo Estadual de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro
CNPJ 02932524/0001-46
Banco: Itaú
Agência: 5673
Conta: 00594-7

Campanha SOS Sudeste (CNBB e Cáritas Brasileira)
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
Conta: 1490-8
ou
Banco: Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta: 32.000-5"
(Fonte: site do G1.com.br)
Para quem prefere entregar as doações para pessoas conhecidas, estou abrindo um grande espaço dentro da minha clínica para receber as doações para serem levadas e distribuídas por pessoas de confiança, como o Caique e sua esposa (ambos Policiais Federais) e outras pessoas da Defesa Civil.
O Caique irá passar na segunda feira para coletar os donativos, mas segundo a minha amiga Daniela Prado, mesmo durante o fim de semana, haverão outras pessoas indo de carro para a região serrana levando os mantimentos, para que o intervalo seja o menor possível para as vítimas da enchente.

Local na Zona Sul:
KENKO PET VETERINÁRIA
Rua Anita Garibaldi, 60 loja i
Copacabana (Bairro Peixoto)
Telefone: 2235-6201 e 2235-3631
Celular: 8193-8339 (Dr. Marcos)
Horário de funcionamento: segunda a sexta de 09:00 as 18:00, sábados de 09:00 as 16:00. Domingos não abrimos, mas caso alguém queira fazer doações, ligue e marque um horário que iremos receber. O mesmo para outros horários que não estiver aberta.

DANIELA PRADO
Celular: 9642-4412 / 7872-9046
Gávea

Por favor, divulguem por quaisquer meios (telefone, e-mail, Orkut, Facebook, Twitter) para fazer ao máximo a quem precisa.

Se outras pessoas quiserem fazer outros postos de coleta, por favor me informe para atualizar esta página com novos dados!

Tuesday, October 5, 2010

Zero nas eleições 2010

Hoje é terça feira. E terças feiras eu pego plantão numa clínica que nada acontece. Nada acontece meeeesmo. Há três semanas que o número de atendimentos clínicos é zero! Nada, nem alguém ligando pra perguntar se o cão que está vomitando há cinco dias pode tomar banho.


E como realmente não tenho nada para fazer lá, além de ler um jornal de cabo a rabo, inclusive o horóscopo, li duas páginas de resultados da eleição para deputados federal e estadual. E, assim como o número de atendimentos clínicos nesta clínica, vi que muitos, mas muitos candidatos tiveram zero voto. Para ser mais exato, para deputado estadual eu contabilizei 133 candidatos que sequer eles se votaram. Ou qualquer outra pessoa tenha votado, incluindo familiares e amigos. A coisa melhora um pouquinho, mas só um pouquinho quando o assunto é deputado federal. Foram 70 candidatos sem voto algum para contabilizar. 


Realmente não sei o que pensar. Especulando, será que os candidatos pensaram algo do tipo: - ah, sou tão ruim que não mereço meu próprio voto? Ou, sou tão ignóbil que tudo que investi nessa campanha serve de castigo e não vou votar em mim? O que leva uma pessoa a se afiliar em algum partido político, criar uma legenda, investir em campanha política e... nem sequer se votar? Masoquismo? Falta do que fazer? Insanidade? Não sei responder. Espero que as pessoas que fizeram isso saibam.


Outra coisa, os nomes que as pessoas escolhem para servir de legenda do candidato. Li durante toda a fase pré eleitoral a coluna do grande Arthur Xexéo, do jornal O Globo. E ele listou vários nomes e no fim de cada "lote" de candidatos esquisitos, ele dizia: vocês não querem que eu vote. Senão vejamos para dar toda a razão para ele. Lúcia do Ipê, Gracinha, Zefa da Neve, Professor Elias Positivo, Nicanor a seu dispor, Boleta, Urbano do Vale, Quiel Canarinho, Mori - seu Miagui, Zoinho, Celso de Jesus O Brasileiro, Uilson Pé no Chão, Poeta, Elfo, Volotão Ferreira O Cara, Du Nort, O Amigo Lucimar, Canela, Boneco, Ademilton Bombeirão, Candango do Povo, Da Hora, Zé Pilintra, Merrw (seja lá como se pronuncia isso, mas teve 251 votos), Marrote Já É, Wilson Perna Torta, Leila Leide Quente, Dudu É Federal, Geraldo Com Br, Bia Coragem Para Mudar, Zeca Foguete, Alfa Helena, Hjunes, Kiko, Tati Quebra Barraco (essa é óbvia, mas tá lá com 1.052 votos), Pedregal, Pitombeira, Rico, Benny Guerreira, Ricardo da Karol (essa deve ser brava), Broder, Zelito Tringuelê, Lucilio Pobre Ajudando Pobre, De La Obra, Cosme Damião, Rogério Pobreza, Mc Berio, Carlos Cajazeira (pode até ser nome mesmo), Papai Noel, Jaiminho RJ, Eu Faz (deve ser amigo do Lula), Caçulinha, Xoquito, Uzias Mocotó, Giba Sangue Bom, Piri, Sagário Nego Velho, Boy Malvão, Hugo Camburão, Borracha, Kaizer, Hilda Furacão, Chumbinho, Coca - Amigo da Comunidade, Braz da Paz, Lima do Bem, Fausto 100 por Cento, Socorro, América, Lico Tonelada, Bicho do Pé Já É (nuossa...), Duda Senzala, Cristiano Power, Dora Benicasa (é, pode ser o nome dela), Professor Obama, Oliveira Robin Hood, Pupin, Léo do Bode, Lenice Espécie, Maluco Beleza, Nilson o Abençoado, Liomar Pique Novo, Peçanha Amigo de Todos, Rubens Comandante e Diretoria (nem imagino do que...), Mouralidade, Máximo B&A, O Parceiro do Rio, Arlete Karatê, Joana D´Arc, Cherem, Beko Negão, Luis Sereia (se é nome mesmo... sei não!), Messias O Garoto Bombom, Valmir Boca de Cantor, Careca, Atleta Kequel, Céu, Valdir Virgens, Alberto da 17, Karao, Babo, O Gente Nossa, Robson Vandamme, Vicente Sorriso, Jorge Bombril, Dr. Edilson da Creatinina (meu Deus...), Júlio Bombinha, Claysoul, Itá, Brunholo, Dalzir com Z, |Wander "O Grande",  Jo a Luta Pelo Povo, Sansão, Israel Atleta! Quase me esqueci: Maria Chupetinha, que teve zero voto.


Ainda tem os que tem alguma relação com comidas como o Nelson Cebola, Jorge Mariola, André Banana, Miguel Banana (serão parentes ou serão do mesmo pé?), Mel, Cacau, Manteiga, Ludivan Batata, Gerson Batata, Batata (outro!), Salathiel Salada, Marcius Vinícius - Neskau, Filé, Odimar Sardinha, Sardinha, Marcelo Amendoim, Antero Napolitano (tá, não é necessariamente comida, mas é sabor de sorvete) e Birinha 51 pra descer tudo isso!


E outros que ligam seu nome a sua profissão ou lugares como Jane da Creche, Anselmo da Farmácia, Dr. Jones Cardiologista, Antônio dos Anjos Construtor, Mauri do Caminhão, Cintia do Salão, Arlindo do Gás, Ademilto Bombeirão, Nonato Cabelereiro, Valdeci das Camisas, Marcelo da Construção, Ivan do Atacadão, Gil do Gás, Vilmar da GN, Célia da Voldac, Chagas Guarda Municipal, Fernando do Comilão, Baixinho do Gás, Marioni o Rodoviário, Claudioci das Ambulâncias, Dr. Joe o Médico da Família, Suboficial L-Oliveira, Eliel da Fortex, Paulinho da AADEF, Alair Artesão do Vime, Sílvio Konig Raios X, Barriga do Açougue (esse não sabia se colocava aqui ou na parte de comida), Gegê do Açougue (idem), Hugo Pipoqueiro (idem), Luiza do Açaí (idem), Julinho Protético, Sandra da Light, Didiu Jornaleiro, Luizinho da Praia, Missionário Thiago de Acari, Roberta Metrô de Caxias (nem sabia que tem metrô em Caxias), Xaolin da Rocinha, Maria José do Mangueiral, Marquinho Seropédica, Cleibe do Rio.


Mas o pior de tudo não são esses ilustres anônimos que aparentemente são inócuos, mas saber que Garotinho teve 694.862 votos, que Romário teve 146.859 votos como deputados federais, mesmo sabendo que Garotinho pode nem ser diplomado, caso o projeto da Ficha Limpa seja realmente efetivado pelos ministros do Supremo. E outra da "famiglia" Matheus, a Clarissa Garotinho que se elegeu deputada estadual, junto com o Bebeto Tetra e Roberto Dinamite. Mas também é bom saber que o Eurico Miranda mesmo com 17.228 votos ficou de fora, junto com Elymar Santos! Aliás, por que o Romário é federal e Bebeto e Dinamite são estaduais? Fizeram menos gols? Isso conta também?


Pior do que São Paulo eleger o Tiririca, que aparentemente é analfabeto é a miopia da população em geral na hora de votar. Votam, elegem e depois nem se lembram em quem votou na última vez. Triste. Nem vou comentar sobre Dilmas, Serras e Marinas. Minha opinião? Dilma NÃO!


De qualquer forma, o Tiririca tem 10 dias para provar que sabe ler e escrever. Pior é o Lula que está há oito anos e ninguém tem certeza.

Friday, October 1, 2010

Hospital Jesus e minhas mãos

Os meus filhos gêmeos, Daniel e Mateus, desde cedo foram diagnosticados como intolerantes à lactose. Ou seja, não podem ingerir qualquer alimento derivado do leite bovino. Na verdade, acaba se extendendo a outras partes do bovino como a própria carne. Aparentemente, se trata de uma doença comum em crianças de diversas idades, sendo mais frequente em crianças e bebês mais novos.


Após consulta com um gastroenterologista pediátrico, onde foi diagnosticado a tal intolerância, descobrimos que eles poderiam ser alimentados com dois tipos de leite em pó específicos para isso. Um se chama Neocate e o outro, Pregomin. Existem outros tipos como o Alfaré, mas a melhor opção para eles seria o Pregomin, numa relação custo-benefício. Digo isso porque o Pregomin, em lojas especializadas e em farmácias específicas, custa a bagatela de R$ 262,60. E o Neocate custa cerca de R$ 570,00 a lata de 400 gramas. É claro que tem uns espertalhões que, mesmo depois da criança não ter mais necessidade de usar estes produtos, continuam pegando no município para revender e formar uma rendinha extra de forma ilícita. Então, nos sites de busca de preço encontra-se gente vendendo por cerca de R$ 60,00 a 85,00 a lata do Pregomin. Tem gente, claro, que apenas vende o que sobrou. Mas também tem gente que tem mais consciência e cede para quem precisa ou troca por outros tipos de leite em comunidades do Orkut ou em sites de ongs. E para minha surpresa não são poucas as pessoas que têm esse tipo de consideração com quem precisa.



Não somos pobres como muitos que vão exclusivamente em hospitais públicos, mas não temos condições financeiras de pagar cerca de três mil reais por dez latas de Pregomin a cada 3 semanas, que é a quantidade que eles consomem. E como pagamos todos os impostos em dia, não acho que estamos "dando golpe" no município ou nos favorecendo desnecessariamente. Aliás, pago mais impostos do que muitos dos que estão lá sendo atendidos. Então resolvemos procurar ajuda pelo município. E nos inscrevemos num programa onde é realizada consultas a cada 3 semanas em média e quando são doados pela prefeitura as latas de Pregomin necessárias para eles, até a próxima visita.


O local se chama Hospital Municipal Jesus e atende exclusivamente crianças. Se localiza em Vila Isabel, subúrbio do Rio de Janeiro.


Normalmente, quem vai lá para as consultas e reavaliações é a Raphaela, mas eventualmente, eu acabo indo também. Acho que eu fui umas três ou quatro vezes. E a cada vez que vou vejo situações tristes e desanimadoras com as milhares de crianças e bebês que lá frequentam, não por opção.


Ao chegar lá, o primeiro procedimento a ser realizado é a pesagem das crianças. Depois, dependendo do que for ser feito, consulta ou reavaliação, somos encaminhados para um consultório específico para o problema, no caso dos meninos, gastroenterologia. A médica avalia e faz a prescrição do leite que é retirado num almoxarifado-farmácia dois andares abaixo. Na verdade, como eles têm uma pediatra particular, a consulta se limita basicamente a avaliação de ganho de peso e desenvolvimento das crianças. Então, dentro do consultório não perdemos tanto tempo.


O meu problema com o hospital é o hospital. Explico. Sabe aquele programa de televisão chamado Monk? Pois é, é sobre um detetive que tem transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e tem misofobia (ou germofobia, ou seja, medo de germes). Tirando os exageros da série cômica, é mais ou menos o que eu sinto quando entro neste hospital. Aliás, na maioria dos hospitais, afinal, hospitais são lugares onde as pessoas vão quando estão doentes. Não necessariamente, mas num aspecto geral sim. Não tenho problemas de ir em lugares como Hospital São José ou na Perinatal, pois dificilmente iremos dar de cara com pessoas realmente doentes.


Já em hospitais, principalmente públicos, sei que as pessoas vão com as diversas doenças existentes num ser humano. Desde as doenças não contagiosas até as minhas mais temidas doenças infecto contagiosas e parasitárias. Tenho problemas com as diversas secreções, excreções e descamações que as pessoas eliminam por diversas formas. Sangue, pús, ranho, baba, meleca, suor, caspa, urina, fezes, suco gástrico, perdigoto, tudo isso para mim soa como algo muito ruim para a minha saúde, talvez, mais mental do que física. Mas como acabo somatizando tudo, então o que era mental vira físico em um piscar de olhos. Ah, isso me faz lembrar outra secreção, a oftálmica, ou lágrima. Ou remela, o que é pior. Daquelas amarelo-esverdeadas.


Numa das primeiras vezes que eu fui lá, eu vi uma criança que não sei precisar a idade dela, mas tinha os dois caninos inferiores mas nenhum incisivo. Ele dormia com a boca aberta talvez não por opção, mas acho que era assim mesmo que ele dorme. Do abdomen dele saía um tubo que ficava preso por uns curativos e o pai o alimentava através dessa sonda, conectada a um frasco, onde ele colocava o leite. Durante todo o tempo que estive neste dia, ele não acordou. Uma cena triste. No mesmo dia, ainda vi um bebê recém nascido no colo de uma senhora que tinha o tamanho da Tangerina* e uma pele acinzentada, muito magrinha...


Na última vez que fui, tinha um garoto com cerca de sete ou oito anos, magrinho também, mas que impressionava a sua pele. Ele tinha uma hiperqueratose em todo o corpo, além de uma descamação grossa no couro cabeludo, formando umas placas amareladas soltas no cabelo. A pele desse menino parecia que estava coberta de escamas escuras. Mas o garoto não parecia se incomodar com isso. Ele ficou o tempo todo no lugar onde as pessoas ficam esperando para serem atendidas brincando, desenhando umas figuras numa folha de papel. De vez em quando ia conversar com a mãe e mostrar o desenho, conversava animandamente com outras crianças da sua idade. Eu me senti realmente um monstro por ficar o tempo todo em pé olhando para onde ia, não querendo que ele chegasse muito perto de mim. Ele realmente nunca chegou perto de mim. Mas quando resolvi sentar com o Mateus no colo, uma menina resolveu querer mexer no pé do Mateus. E eu já tinha visto a pele dessa menina, que junto com mais duas meninas mais velhas que ela, tinham diversas lesões de pele, que elas ficavam o tempo todo se coçando. A mais velha tinha umas feridas no pescoço com placas de pús e sangue. E no braço também. Aliás, todas as meninas tinham lesões nos braços, perto do cotovelo. E se coçavam. Tanto que, quase imediatamente ela encostou nos pés do Mateus, eu me levantei fingindo ter visto algo extremamente importante, focando em algum ponto longe, depois fiquei enrolando. Certamente a mãe percebeu e soltou um comentário do tipo: - ih, ele não quer que você brinque com o bebê...


Uma das babás percebeu meu pânico, coisa que ela comentou depois, dentro do carro. Ainda, no hospital, tinham umas senhoras de alguma ong que distribuíam bananas e pacotinhos de biscoito tipo Club Social, mas genérico. Até era integral. A banana eu não aceitei, embora estivessem com uma cara melhor do que essas que a gente compra na feira. Quer dizer, eu não, porque odeio entrar em feira. O biscoito eu aceitei porque a senhora praticamente enfiou no meu rosto e fiquei com medo de recusar e apanhar na frente de todo mundo. Não comi, claro. Não por causa do biscoito, se não era um Club Social original e sim um genérico, mas por causa do lugar. Mesmo não encostando em nada dentro do hospital, não ia conseguir colocar nada na minha boca sem que antes pudesse lavar minhas mãos com algum sabonete (líquido) antisséptico por pelo menos uns 15 minutos. Então, a mesma babá que percebeu quando eu levantei com o Mateus para não deixar a menina mexer nos seus pés, acabou comendo o biscoito. Engraçado que na hora que as senhoras ofereceram os biscoitos e bananas, elas recusaram.


Esse foi o dia que estava mais cheio de pacientes. E pacientes com prováveis doenças infecto contagiosas e/ou parasitárias. Uma multidão com suas crianças doentes andando pra lá e pra cá aguardando o atendimento. Difícil não sofrer junto com elas, difícil ver crianças que deveriam estar brincando, se divertindo, sofrendo todas juntas num lugar insalubre. Bom, pelo menos insalubre para mim.


* Tangerina é a gata que mora na clínica e deve pesar dois Kg.